menu


                                                                                                                                                  

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Tradução da 6ª coluna para V Magazine

Veja a nova coluna para a V Magazine, GaGa fala sobre pérolas, vida pessoal e baseball.


Data: Março de 2012
Assunto: Mais pérolas por favor

De: Senhora GaGa
Para: Stephen Gan

Cópia para: Ms. Vreeland
Yankees
Mets
O cérebro da indústria
Mikimoto
Moluscos
Cleópatra
Todos os jogadores, técnicos, astros e veteranos confusos]

6° coluna da V Magazine

"Ninguém gosta de quando o jogo que ganharam e ganharam de novo muda…"

Então para a Seção de Esportes da V, acredito que alguns de vocês pensaram se eu entraria de férias para o mês. Talvez eu surgiria com uma desculpa benigna, ou inventasse alguma confusão do tipo garota-da-cidade: escrever sobre roupa esportiva? Ou esportes? Quando, na verdade, eu cresci uma grande fã de baseball. Pesquisem agora: ‘Lady Gaga at the Mets game’,(Lady Gaga no jogo dos mets) e você encontrará uma fotografia de uma não-tão-sóbria versão minha, na torcida do Bronx com meus amigos. O que se tornou problemático, já que nós não estávamos exatamente no Bronx.* (ver nota.) Foi a primeira vez em dois anos que eu estava na verdade escoltada por meu pai — parcialmente por mau comportamente em público e parcialmente por estar num jogo dos Mets. Mas esta é a beleza do baseball, não é? Eu conseguia me afogar em tanto whiskey, cerveja, e linguiça italiana que depois de dois anos de turismo no mundo eu: (A) completamente esqueci que sou famosa, (B) estava completamente bêbada, usando minha fantasia de ‘Telephone’, e (C) ainda estou confusa sobre como os paparazzi me encontraram. Que dama.

De qualquer forma, esta estória veio à cabeça quando meu editor me enviou um e-mail para a cópia do artigo dessa edição e pensei, que revelação! Que desafio eu chegaria e poderia verdadeiramente mostrar meu apreço por esta coisa que chamamos de ‘o jogo’. Então, senhoras e senhoras, leitores da V, esta é uma teoria sobre a competição. A integridade da ambição. A Verité de Um Vencedor. Prestem atenção, fashionistas, nesta edição quando falo de esportes, até vocês podem pegar alguns ‘home runs’. Sim, eu disse isso, ‘home runs’. Deixem-me por minhas roupas de esportes?

2011 foi um dos anos mais excitantes e difíceis da minha vida. Fiz este pacto interno comigo mesma quando surgi com ‘Born This Way’. Dessa vez, quando eu ‘vencer’, quero que signifique algo. Como pode toda ‘vitória’ ser uma força? Não uma tiara, um tapinha nas costas, ou receber um cheque, mas como eu posso observar no mar de fãs e saber que nossa ‘vitória’ mudou a indústria e mudou a cada um?

Eu me pergunto como a milhares de anos atrás a primeira pérola foi descoberta. Na verdade, eu me pergunto sobrte quem a descobriu. Terá sido um pescador? Ou terá Cleópatra, em seu iate, invocado um molusco? Terá seu fabuloso maquiador segurado-a em um pau pequeno e dito, “Ahhh minha queriiiiida, nas suas orelhas!” Eu pensei na pérola durante minha exploração do ‘jogo’ porque como um acessório, pérolas são as mais determinantes e atemporais de todos. Não há crime ou conflito ao redor delas, são naturais e perfeitas, e presenteadas como um gesto de elegância e feminilidade. Por milhares de anos nunca saíram da moda, e até hoje nada se sabe sobre sua descoberta. Elas não têm senso nenhum de tempo ou começo. São cíclicas na natureza e na existência.

O Natal deste ano foi a primeira vez que me comprei algo bom. Não junto dinheiro com estilo, nem junto com fecilidade. Normalmente eu escondo minha animação em lugares como a Claire’s, jogando joias de fantasias num cesto.

Entretanto, enquanto estava no Japão, e decidi me comprar um ramo de pérolas Mikimoto. Para que esperar que um amante lhe compre joias? Seja sua própria amante! Depois do ano que o Japão teve, e as experiências que dividi com as pessoas de lá, pensei que faria uma boa memória. Os funcionários da Mikimoto chegaram, nós abrimos um pouco de champagne, e meu amigo Brandom e eu experimentamos algumas pérolas e adoramos. Eu rapidamente decidi que não poderia simplesmente comprar uma para mim mesma. Eu me sentiria terrível. Então fiz pelas garotas: uma para minha mãe, minha linda e talentosa irmã, e Bo, minha melhor amiga. Era um sinal de nossa feminilidade, um agradecimento pelos cuidados, para minha irmã um sinal de coisas que virão, e para minha mãe um ramo de pérolas para representar cada uma das bênçãos que ela cultuou para nossa família durante todos esses anos.

Eu deito no avião de volta do Japão, jogando pelo ar um pouco de dashi, acariciando minhas pérolas. Vi o filme Moneyball pela primeira vez. Comecei a rir e sorrir quando Brad Pitt começava a falar romanticamente sobre o jogo. Eu de repente imaginei que minhas pérolas eram minúsculas bolas de basquete. Quando um jogador acerta um ‘home run’, a bola é lançada num abismo de enigmas e gritos. Ela viaja tão longe que só raramente uma é capturada nas arquibancadas. Aonde estas bolas vão? Como essas vitórias ficam encerradas? Estão numa terra paradisíaca flutuando por aí para jogadores que passam para ter conhecimento? Ou desaparecem?

No final do filme, descobrimos a verdade sobre vencer de nosso herói. Só significa algo se você mudou o jogo. Ser chutado no dente é paridade para o curso deste tipo de vitória, uma vitória que não só irrita o time que você venceu, mas todo e qualquer time, seus treinadores, donos, e até alguns dos melhores jogadores de baseball de todos os tempos. Você fez seu único lance de regras e foi tão longe em seu próprio talento, ninguém pode possivelmente descobrir a verdade por trás de suas vitórias. Você foi ou sortudo ou ladrão. Ninguém gosta de quando o jogo que ganharam e ganharam de novo muda.

Pitt expressa isto como o objetivo central de sua vida, quando vemos um flashback para um jogo antigo dos Oaks. Batter rebate e corre, fazendo o que normalmente faz, correndo primeiro para passar a segunda, mas tropeça, cai, e apressa-se de volta para a primeira posição. Ele está tão focado no jogo, tão focado na vitória do time, com a cabeça tão baixa na sujeira do estádio, que não se toca de que fez um home run. A plateia vibra, e ele não sabe por que.

Neste momento olhei para minhas pérolas, e vi todos os minúsculos home runs que fiz durante o ano passado. Sabia que alguns foram mais perfeitos que outros, mas sabia que só um olho treinado em pérolas perceberia. O fato sobre música é que você não está competindo com mais ninguém. Você está competindo com a psicologia da indústria como uma só. Você está competindo com você mesmo. Você deve procurar mais e mais fundo na sua criatividade, história, e modernidade para mudar não só este momento, mas todo momento que veio antes disto. Como posso fazer um home run que fará todo jogador questionar todo home run que já foi marcado? Como posso em terceiro round superar tudo e desnortear alguns dos melhores jogadores de todos os tempos? Como posso mudar o jogo, até que 30 anos se passem e alguém o muda novamente?

Às vezes meu rosto está enterrado tão forte no trabalho que esqueço de olhar para cima. Às vezes eu nem percebo que ganhei, porque o estádio está ou gritando e animando tão alto que não me importa. Então nesta temporada, no espírito do Super Bowl e todas as coisas esportivas, use suas pérolas. Selvagens, cultuadas, reais ou falsas, use-as orgulhosamente. E olhe para cima, ou para baixo, para todos os seus homeruns. (A menos que você as tenha feito numa coroa com cola quente.) Então olhe para cima! Na moda e na vida todos nós merecemos mais pérolas, por favor. Um momento de revelação para relembrar que nós somos atemporais, todos nós somos importantes, e toda vitória como esta é tão importante quanto a próxima. Quando você está mudando a forma como pessoas pensam, suas conquistas na vida estão trabalhando para o melhor acessório de todos os tempos: nervo. Então colecte suas pequenas bolas de baseball, alinhe suas pérolas, e lembre-se que você é tão atemporal quanto as pérolas no seu pescoço. E se você esqueceu de ser uma dama e usá-las, então que dó de você.

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário